https://www.google.com/adsense/new/u/0/pub-3159886379608766/home Pega o Mapa!: São Francisco 1

sábado, 15 de outubro de 2016

São Francisco 1

Acordei cedo, às 5:30 da manhã, sem reclamar, pois o motivo era nobre: ver o navio entrando na baía de São Francisco. O sol nascendo atrás Golden Gate, que àquela hora ainda estava com a famosa névoa cobrindo os pés da ponte. Lindo e emocionante, se você ama São Francisco tanto quanto eu. Já faz 6 anos desde que me apaixonei essa cidade e foi uma delícia poder voltar! 



A ponte, inclusive, leva esse nome porque atravessa o estreito de Golden Gate que, por sua vez, leva esse nome porque pertence ao “Golden State”, que é o apelido da Califórnia. Todos os estados têm um apelido (e alguns fazem sentido, tipo “Sunshine State” para a Flórida e “Empire State” para Nova York). A Califórnia é o “Estado Dourado” principalmente devido à corrida do ouro no século 19.

O navio atracou cedo mas só pudemos descer depois das 11, devido ao treinamento de segurança (que na temporada do Alaska ele era feito em Skagway). Fomos direto para o Fishermans Wharf, que é um pier enorme com várias coisas pra se ver. O dia estava lindo e eu ganhei um unicórnio gigante. Não, pera, deixa eu contar essa história direito...

Sabe aquelas máquinas de parque de pegar bichinhos de pelúcia que só fazem arrancar o nosso dinheiro porque ninguém consegue pegar os malditos? Pois é, no pier tinha uma dessas, só que ela era enorme, com pelúcias “gigantes”,  e o tema era Minions. Já amamos ali. Cada “ficha” (não existe mais ficha, ne minha gente...) custava 5 obamas e te dava o direito de jogar 3 vezes. Eis que o unicórnio estava lá. Se você não se lembra dele do filme, eu sinto muito! Ele se chama Fofinho e é “tão fofinho que eu quero morreeeeer!”. 

Minha amiga jogou primeiro e ele só dançou de um lado para o outro dentro da máquina. Chegou a minha vez e nas duas primeiras tentativas ele só pulou de um lado pro outro também, aquele gancho dos infernos! Eis que na terceira vez,  o gancho agarra no pescoço do unicórnio e consegue levantar até o começo da caixa onde ele deveria cair. Nessa hora a gente começou a gritar a pular, torcendo pro bicho cair na caixa, mas o pescoço estava pro lado de dentro e as patas pro lado de fora. Segundos de pânico. Até que... ELE ACAIU! MANOOOOOOO a gente gritou o suficiente pra juntar uns curiosos que queriam ver o que estava acontecendo alí. Ninguém nunca ganha e eu ganhei um unicórnio gigante. Eu e um unicórnio gigante com a crina rosa e o chifre dourado em São Francisco. Não dá pra ser mais gay do que isso!

Já era quase hora do nosso tour para Alcatraz, tour que, inclusive, só se consegue comprar com semanas de antecedência, e nosso gerente fez questão de reservar pro time inteiro. Não dava tempo de levar o Fofinho pro navio, logo, Fofinho conheceu as histórias pesadíssimas e superinteressantes da prisão mais famosa dos Estados Unidos. O ditado diz que “se você quebrar as regras, vai para a prisão, se quebrar as regras da prisão, vai para Alcatraz.”

São cerca de 15 minutos de barco (porque não andamos de barco o suficiente nessa vida) até a Ilha de Alcatraz, onde a construção foi erguida no século 19. Mas não foi sempre uma prisão, ela foi construída inicialmente para ser um forte militar, e teve uma função chave durante a guerra civil americana: ela para lá que eram levados os prisioneiros de guerra. Desde então, passou a ser uma prisão militar, até que nos anos 30 foi convertida à prisão federal. Já nos anos 70, a prisão foi fechada e o lugar foi ocupado por índios que protestavam por alguns direitos, mas isso não vem ao caso, o que interessa é que Alcatraz foi fechada porque trazia um custo altíssimo para a cidade. Logo depois que os índios desocuparam, Alcatraz foi transformada em atração turística e agora gera rios de dinheiro diariamente.

Alcatraz recebeu alguns prisioneiros famosos, e entre eles, o mais notório foi Al Capone. Além das histórias dos prisioneiros, temos acesso às histórias das tentativas de fuga, que são extremamente interessantes! O tour é feito com fones de ouvido, cada um escuta a sua própria narração e vai seguindo pra onde o áudio indicar. É narrado por ex carcereiros alguns ex detentos também participaram  do áudio. É um tour interessantíssimo, e a narração ajuda a criar aquele clima pesado de prisão. As celas são minúsculas (e eu achando que a minha cabine era pequena...), mas o que realmente impressiona são as histórias das fugas.



Na mais famosa das fugas, os prisioneiros cavaram, com colher, uma saída pela ventilação até o teto. Como cavavam à noite, criaram bonecos para os guardas não notarem suas camas vazias. Levaram UM ANO para cavar, e nunca mais se ouviu nada sobre os 5 que conseguiram escapar. A direção da prisão, na época, disse que morreram afogados, mas nenhum corpo foi encontrado.

De lá fomos comer, voltar pro navio para nos arrumamos pra noite. Minha primeira noite sem trabalhar nestes 4 meses. A primeira vez que vi o céu escurecer do lado de fora do navio. O navio, inclusive, é lindo todo iluminado.

Seguimos para a Castro, o famoso bairro gay de São Francisco. Famoso não só pelas festas, mas principalmente pela militância pelos direitos gays, que foi, inclusive, transformada em filme, em “Milk, a voz da igualdade” (Sean Penn indicado ao oscar como melhor ator). Fomos parar num bar com bebida a 1 dolar até meia noite e muita música pop.


No dia seguinte, curamos a ressaca (bebida de 1 dolar, já vai imaginando...) e fomos dar uma volta pela cidade, pois o horário de embarque era às 3 da tarde. Hora de voltar à realidade. 
Naquela noite não vendemos muito... os hóspedes estavam exaustos, e nós também, rs. 


Um comentário:

  1. Além de blogueira, a bicha ainda é historiadora. Segura essa marimba, mon amour.

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