https://www.google.com/adsense/new/u/0/pub-3159886379608766/home Pega o Mapa!: Sobre os hóspedes a bordo

sábado, 2 de julho de 2016

Sobre os hóspedes a bordo

O trabalho em um cruzeiro me permite fazer uma coisa que adoro: observar pessoas. Sempre faço isso em locais públicos, tipo shoppings e aeroportos, porque observar como as pessoas se comportam quando acham que ninguém está olhando é muito divertido!

A cada cruzeiro, temos cerca de 25 nacionalidades de hóspedes, e como se não bastasse essa loucura cultural, tem gente de tipo: nova, velha, casal, gente que viaja sozinha, excursão de 40 pessoas, famílias inteiras, enfim, de tudo mesmo! A maioria deles fala inglês, bem ou mal, mas existem alguns poucos que não falam nada. Quando são hispânicos, têm sorte porquê a grande parte da tribulação fala espanhol. Já quando são orientais, vai na mímica mesmo...

Eu não tenho uma nacionalidade preferida, mas no geral os americanos são muito agradáveis, os elogios mais gentis que já recebi foram de americanos. Alguns elogios fizeram meu dia! Já a pior nacionalidade pra mim, essa é fácil: indianos! Eles são, no geral, extremamente exaustivos de se atender, perguntam mil vezes a mesma coisa (acho que esperando resposta diferente, só pode...) andam em grupo e bagunçam (zoneiam mesmo) a loja inteira! Pedem sempre mais desconto do que já foi oferecido e, no final, não compram. Voltam mais tarde pra repetir toda essa exaustiva rotina antes de finalmente comprar. Além disso, a maioria é impaciente e chega até a ser sem educação, não respeitando quem está sendo atendido, interrompendo e fazendo questão da resposta na hora. Peço pra esperarem porque como alguns sabem, não sou obrigada. Alguns não esperam e vão embora. Mas também tem aqueles indianos trabalhados na riqueza que me ajudam a bater a meta lindamente. Esses eu adoro, pena que são tão raros...

Tem gente muito simples que, quando você passa o cartão do navio, o computador te indica que é um membro vip. Essas pessoas geralmente viajam duas ou mais vezes ao ano e já conhecem praticamente o mundo todo. São fiéis à companhia. Também tem aquela gente toda arrumada de salto alto e maquiagem pesada num dia de mar que você não entende muito bem qual o motivo...porque claramente elas não “vão” a lugar nenhum.

As noites de gala são um caso à parte: todo mundo extremamente alinhado segundo as suas concepções culturais de “gala”. A primeira noite é quando o capitão se apresenta pessoalmente, apresenta os gerentes e tira foto com os hóspedes. Esse capitão que está embarcado é praticamente um pop star: adora atenção, faz piadinhas nos seus anúncios matinais (onde ele informa sobre localização e temperatura) e parece se divertir na hora das fotos (eu vejo porque as fotos são tiradas em frente à minha loja). A segunda noite de gala não tem nenhum motivo aparente, imagino que seja pras pessoas comprarem mais jóias e acessórios. Funciona.

Todo dia de mar tem algum entretenimento na área comum para os hóspedes não ficarem tão entediados. A nossa área se chama Royal Promenade, todas as lojas estão lá e é como se fosse um corredor de shopping. É onde quase tudo acontece.

O pessoal do entretenimento é muito bom, porque eles fazem os mesmos jogos toda semana, e toda semana eu morro de rir! Uma competição que eu adoro é a do homem mais sexy do navio, e obvio que os concorrentes passaram looooonge da fila do sex appel, é engraçadíssimo quando eles tem que desfilar e dançar! Outra que adoro é a aula de dança, principalmente quando eles tão dançando Macarena. Sério, é muito bom! Mas a minha coreografia preferida é, sem dúvidas, a de YMCA, gente, é simplesmente IMPAGÁVEL ver os hóspedes com os bracinhos pra cima!!

Os hóspedes estão sempre deixando pra comprar no último dia porque acham que vamos fazer algum desconto especial (principalmente quais? Acertou que respondeu indianos). Não temos desconto especial no último dia (não na temporada do Alaska), canso de explicar, e eles esperam mesmo assim. Não preciso dizer que o último dia é um inferno, né?! Sem contar o nível de sonseira de quando já estamos no último dia do cruzeiro e ainda tem gente tentando pagar com dinheiro. “Não aceitamos dinheiro no navio, senhor.” “Ah não sabia...” Sete dias e eles ainda não sabem.

- “Essa é a última bolsa, senhora.”
- “Ah, mas você não vai receber mais?”
(Sim senhora, o helicóptero vai vir aqui no meio do oceano só pra entregar as bolsas da Guess).

- “Queria comprar uma jaqueta porque não trouxe roupa de frio. Não achei que fosse fazer frio...”
(Realmente, comprei um cruzeiro pro Alaska e o frio nem me passou pela cabeça...)

Mas tirando os hóspedes sem noção, também tem aqueles por quem você se apaixona! Ontem conheci a Laura, uma mexicana de 9 anos que já fala 3 línguas, é uma graça de criança e extremamente inteligente. 

Hoje é dia 1, os novos hóspedes acabaram de embarcar e teremos 858 crianças a bordo. Muita gente se assusta com o número de crianças, mas o que me assusta mesmo é o número de indianos... (má).

Post longo, muita coisa pra contar, então vamos terminar por aqui. Beijos!

4 comentários:

  1. Amei o textão e me identifiquei com todas as situações que você vive na loja kakakakaka.

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  2. Adorei! Seu primo leu e achou o texto muito bom! Nos divertimos lendo, e rindo das situações hahaha Bjão!!

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  3. Nossa! Indianos são cismados com a minha pessoa! kkkkkkk No Orkut tinha "perseguidores" indianos e em NYC tinha um (daqueles q usam turbante- que prefiro nem imaginar o q tem embaixo kkkkkk) que era dono daquelas lojinhas de souvenir e que queria casar comigo! Disse q me dava casa, carro e três mil dólares por mês. Falei: sorry mas ganho mais q três mil dólares (como se eu adorasse trabalhar kkkkkk mas entre trabalhar e casar com ele preferia trabalhar). Acho q eles gostam porque sou branca demais kkkkkkk e perto deles fico ainda mais.

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  4. Adorei a foto do interior do navio! Bom pra gente se situa :D Beijo Carol!!

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